6 de maio de 2012

Entre as páginas de Anna Karenina

Este post contêm spoilers do livro Anna Karenina, de Leon Tolstoy. Então se você pretende ler o livro e não quiser saber nadinha dele antes, não continue vendo o post :) 

Intercalado com a minha leitura de "O Nome da Rosa", do autor Umberto Eco, estou lendo Anna Karenina, do russo Tolstoy. Não sou lá a maior fã de literatura russa, confesso que acho um pouco desgastante por causa dos nomes parecidos e, principalmente, por ser uma leitura "arrastada", sem muito dinamismo (ao menos as obras que li foram assim, mas claro é minha opinião). Anna Karenina não é muito diferente, mas tem dois personagens no livro pelos quais me encantei e fizeram com que me motivasse a continuar a leitura: a princesa Kitty e o latifundiário Constantino Lievin. 

Como é possível imaginar, os dois ao longo da estória tornam-se um casal romântico, mas antes disso muitos acontecimentos distanciam os dois. O mais interessante é que são situações da vida que, se por um lado os separam, por outro ajudam no amadurecimento de ambos e consequentemente para suas felicidades quando finalmente ficam juntos. Lievin desde o começo da obra é descrito como um homem apaixonado e devoto pela jovem Kitty, que por outro lado dedicou seu coração a outro homem. A indecisão amorosa de Kitty e sua transformação para a maturidade é vivenciada entre as páginas do livro, juntamente com a construção da felicidade de Lievin, que tantou ansiou pelo amor da mulher.

(A Carolina que sugeriu colocar os livros sobre a cabeça, por isso comecei a rir no meio das fotos) 

Separei algumas passagens do livro que demonstram a sensibilidade do relacionamento entre os dois e principalmente da parte de Lievin, que não é o tipo de homem idealizado nas obras de romance, mas por isso mesmo acho um personagem muito mais interessante que a própria que nomeia o livro.

"Lievin não podia enganar-se. Eram uns olhos sem par no mundo. Só uma criatura à face da terra era capaz de resumir para ele toda a luz e todo o sentido da vida. Era ela! Era Kitty!"

"Entre Lievin e ela estabelecera-se uma espécie de séria afinidade que os aproximava cada vez mais, despertando-lhes um sentimento de alegre incerteza ante esse mundo desconhecido em que ambos iriam penetrar"

"Não podia pensar nem desejar fosse o que fosse alheio à vida com Lievin. Mas essa vida ainda não se realizara e Kitty nem sequer podia imaginar claramente o que essa vida fosse. Tudo era expectativa, temor e jubilosa ansiedade perante o novo e desconhecido"

"Lievin beijou, cautelosamente, os lábios sorridentes de Kitty, ofereceu-lhe o braço e, experimentando uma estranha e nova identificação com ela, saiu da igreja. Não acreditava, não podia acreditar, que aquilo fosse verdade. Só ao encontrar os seus olhares tímidos e surpreendidos acreditou, pois se deu conta, nessa altura, de que formavam já um só e único ser"

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